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Negócio de mina: Viviane Pereira e o Musette Café

Publicado em 22/03/17

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Energia boa! É o que sentimos ao entrar no Musette, o bike-café criado pela Viviane Pereira e que fica na Vila Olímpia. Não é por menos, a Vivi construiu cada cantinho desse lugar, pensado com uma super dedicação não só na qualidade dos produtos que a gente encontra por lá, mas também no espaço de convivência dos clientes e de apoio aos ciclistas que passam por lá.

Conversamos com a Viviane, para mais uma entrevista com mulheres empreendedoras do mundo da bicicleta (veja as outras entrevistadas aqui, aqui e aqui), para conhecer um pouquinho do café. Ela falou da sua relação com a bike e da vontade de incentivar o seu uso na cidade.

 

Adriana: Da onde surgiu um a ideia de criar um café e especialmente um bike café?

Viviane: Foi uma decisão um pouco orgânica, as coisas às vezes vão acontecendo na minha vida e quando eu vejo já aconteceu, rs! No ano retrasado eu comecei a me sentir bem desmotivada no trabalho. Sempre trabalhei na área de sustentabilidade, eu via muitas vezes o discurso muito descolado da prática, nos lugares em que trabalhei. Isso me desmotivava muito. Já havia morado nos Estados Unidos, onde estudei administração. Percebi que eu tinha fases, trabalhando no meio corporativo, que de cinco em cinco anos eu ficava cansada daquilo tudo e tinha que mudar. Mesmo assim comecei a buscar outros lugares para trabalhar, na mesma área. Mas aí comecei a pensar, eu sempre gostei de café, comecei a pesquisar algumas coisas. No inicio queria algumas coisa móvel. Não um bike-café móvel, mas algo móvel, com bicicleta. Não sei mais dizer qual foi o caminho a partir daí, mas quando vi estava decidida a ter um café, um espaço mesmo. E um bike-café porque eu pedalo desde 2009, na época que fui para os Estados Unidos eu comecei a usar a bicicleta para tudo. E lá eu dividia casa com uma menina que era triatleta e aquilo me motivou muito. Comecei a pedalar por conta da influência dela.

 

Musettes!

Musettes!

 

E quando foi essa decisão?

Isso foi em setembro de 2015, quando tomei a decisão. Aí comecei a fazer estudos de mercado, visitar cafeterias que eu sabia que poderia tirar boas ideias, que eram lugares agradáveis e que tinham um estilo que eu gostava, que serviam produtos de qualidade. Fiz também um estudo de mercado de bairro, tinha pensado no início na Vila Mariana ou aqui na Vila Olímpia e tudo foi levando para que eu abrisse aqui.

 

Como é sua relação com a bike e como ela te influenciou a abrir um bike-café?

Voltei para São Paulo em 2011 e no inicio eu não tinha muita coragem de andar de bicicleta, eu me sentia insegura. Na época eu morava muito longe do meu trabalho então nessa volta eu usava a bike apenas como lazer mesmo. Nessa volta eu estava meio desenturmada e nisso a bicicleta me ajudou também. Eu via aqui os grupos de pedal noturno e resolvi ir em algum para fazer amigos. Comecei a pesquisar, achei um clube, o Amigos da Bike. Fui e comecei a me integrar com as pessoas e acabei ficando amiga de quatro delas. A bike me ajudou a me integrar de novo na cidade. Com elas comecei a fazer alguns pedais mais longuinhos, pegar a Imigrantes.

Depois em 2013 eu morei na Vila Mariana e ali ficou muito mais fácil ir para o trabalho de bike. Lá tinha uma super estrutura, bicicletário, vestiário, então era fácil. E por isso passei a usar a bike para outras coisas.

Ciclo-viagem de dona de café. Não podia ser diferente.

Ciclo-viagem de dona de café. Não podia ser diferente.

 

E foram essas experiências que te levaram a criar o bike-café?

Isso foi bom para criar o bike café, pois eu comecei a pensar em quais eram as dificuldades de andar de bike em São Paulo. A maioria das pessoas aqui mora em apartamento ou em lugar em que não tem um espaço para lavar a bike ou cuidar de alguma coisa na bike. Ou muita gente fala que não usa a bicicleta como transporte para ir para o trabalho porque não tem onde se arrumar ou não tem lugar para deixar a bicicleta. (Hoje eu acho que isso é um pouco de desculpa porque tenho aqui a disposição um vestiário e um espaço para guardar bicicletas e não são muito usados). Outra coisa que é super simples, é um lugar para parar a bike. Pensei em algumas coisas que eu como ciclista gostaria de ter e ver por aí e coloquei aqui no café. Um ponto de apoio para quem está na região.

 

No Musette o ciclista encontra um super apoio para facilitar a vida.

No Musette o ciclista encontra um super apoio para facilitar a vida. Pode deixar a bike, usar o vestiário e até usar o espaço para um ajuste no meio do caminho.

 

Quais foram as referências que você usou para criar o Musette?

Eu sigo uma conta no Instagram que chama Bike Friendly Cafés. Eu sempre vasculhei bastante esse perfil. Aqui em São Paulo eu visitei três lugares, o King of the Fork, o Aro 27 e o Brooklin Bike Café. Mas fui também em outros cafés que não são bike-cafes, mas que são lugares fantásticos, o Coffee Lab, fiz curso lá, no Padoca do Mani, Por um Punhado de Dólares, enfim, lugares que eu tinha como referência de qualidade.

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Sustentabilidade é uma das grandes preocupações no Musette

 

Qual é o perfil de clientes que vem no Musette? São mais ciclistas?

Durante a semana é um público bem corporativo, por causa da região. No final de semana são mais ciclistas, ciclistas amigos. Na quarta-feira as meninas do Pelotão das Minas sempre vem aqui, depois do treino. É louco porque estou trabalhando mas ao mesmo tempo estou batendo papo! É muito bom. O perfil do bairro tem mudado um pouco. A Vila Olímpia em algum momento já foi muito de balada e comercial, mas tem aumentado o número de empreendimentos residenciais. Então no fim de semana essas pessoas também estão por aqui.

 

Como é ser mulher dona de um negócio?

Tem uma historia que eu sempre lembro que é de uma amiga que morava em um apartamento, que era dela, tinha contratado uma reforma com a grana dela mas como o namorado sempre estava acompanhando a obra com ela e o pedreiro só falava com ele. Acho que como eu faço muita coisa sozinha, esse tipo de situação não acontece. Sou só eu e não tenho como comparar com nada. Da minha experiência, ate o momento não tenho nenhuma situação que me chame atenção por ter sito potencialmente prejudicada pelo fato de ser mulher. Eu sou meio virona também com as coisas, então não teria deixado passar muita coisa.

Eu ouço muito comentário porque muita coisa aqui fui eu que fiz, eu fiz a reforma toda da casa, eu que rejuntei, pintei, fiz tudo. Aí tem um espanto de eu ter feito tudo isso. Mas depois que você compra uma furadeira, usa uma parafusadeira e dá conta de pintar a casa inteira, você não precisa de ninguém. E acho que é diferente quando você paga alguém para fazer as coisas de quando você mesmo faz, sua energia está impregnada no lugar. Isso é uma coisa que eu ouço bastante das pessoas que vêem aqui, ´Nossa, que lugar aconchegante, que energia boa!´. E eu fico feliz porque eu sei que é energia minha que está aqui, não tem como não estar.

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Vivi e as obras do Musette

Vivi e as obras do Musette: DIY

 

Quais são os planos para o Musette?

Queria poder incentivar um pouco mais que as pessoas irem para os trabalhos de bicicleta. Então queria fazer uma coisa um pouco mais ativa nesse sentido. Ter um calendário de bate-papos de temas específicos, sustentabilidade sempre foi a minha área então gostaria muito de promover e compartilhar. E de alguma forma me aproximar de grupos de treino de ciclismo de estrada, talvez servir como um ponto de apoio.

Pra terminar: por quê o nome Musette?

Foi complicado! Uma coisa que eu e a Fernanda, minha namorada – que é publicitária e me apóia em diversas coisas aqui no café, o que a gente não queria era usar muitas coisas em inglês. Mas nada do que a gente pensava dava liga. Musette ficou na minha cabeça porque é um nome que tem tudo a ver com ciclismo, alimentação, suporte. É o nome dessa bolsa que entregam para os ciclistas durante as provas, com alimentos e bebidas. É um nome feminino, o que me agradava também. Aí ficou!

VISITE O MUSETTE CAFÉ >> Rua Nova Cidade, 402. Vila Olímpia.

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