Cena

Projeto Transite: o que a bicicleta significa para você?

Publicado em 12/08/16
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Gisele Aparecida Alves // Itapuã do Oeste (RO) // Fotos: Felipe Baenninger

 

 

“Eu aprendi andar de bicicleta com 9 anos, lembra aquelas bicicleta que tinham uma bola no meio? A barra circular! Ela nem era nossa, a gente colocava a perna por entre aquela bola e andava meio de lado. Para mim foi muito mais difícil eu caia bastante, mas não ligava ao braço não, todo mundo caia. A bicicleta, quando viemos do sitio para cidade com 23 anos eu comprei uma bicicleta modelo feminina, só minha. Foi uma realização. O sonho de toda criança é ter uma bicicleta. Eu acho incrível, toda criança pede na cartinha do Papai Noel. Não sei o que é essa mágica que ela tem. Acho que ela te da a sensação de liberdade, o retorno do lúdico. Eu uso pra tudo, levo minha filha na garupa ela adora.”

Gisele Alves é uma das brasileiras registradas pelo fotógrafo Felipe Baenninger em seu Pojeto Transite. Ela é uma das 500 pessoas que responderam a uma pergunta simples que ele fez: o que a bicicleta significa para você?

O Transite é um projeto de documentário que tem como tema a cultura da bicicleta no Brasil. Para sua produção Felipe percorreu todos os estados brasileiros, fotografando e entrevistando personagens da cultura ciclística de cada região.

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E se não bastasse seu projeto ter como foco a bicicleta, toda a viagem – todos os 40.000km que ele andou – foi feita de bicicleta. Ele morou na sua bike por 3 anos, uma cicloviagem que torna ainda mais interessante a sua relação com a bicicleta e com as pessoas retratadas.

“O Projeto Transite é uma oportunidade de reflexão”, conta Baenninger. É uma proposta ampla de enxergar o outro e sua realidade.

Ciclistas se entendem e essa relação de fotógrafo e fotografado fica permeada por um gosto especial que todos temos pela bicicleta, desde crianças. E essa aproximação fica evidente nas fotos do Felipe.

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E quem são as brasileiras que pedalam? Como elas se relacionam com a bicicleta?

Essas são questões que ainda estão sendo maturadas, recortes propostos sobre o material coletado nesse tempo todo. Para responder a essas perguntas, houve uma aproximação gradativa com as mulheres ao longo da viagem. Isso porque, de cara, a quantidade de homens pedalando é maior, em todas as regiões do Brasil. E quanto mais perigosa a cidade maior essa diferença, conta Baenninger.

Elas estão em todo lugar, com suas bicicletas. E um segundo fator que ele teve de compreender para o registro das mulheres estava justamente na forma de aproximação. Diante de muitas reações defensivas, Baenninger conta que percebeu que precisava tentar compreender quais eram as questões enfrentadas pelas mulheres que usam a bicicleta, e somente então se aproximar e dialogar. Para isso ele iniciou uma aproximação com os movimentos sociais nas capitais em que foi passando, e encontrou ali locais seguros de conversas genuínas. Esse movimento foi muito importante nesse processo de quebrar a distância que ele percebia haver entre ele e as mulheres que queria retratar.

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O resultado disso são os 523 registros e entrevistas que retratam essa relação dos brasileiros e das brasileiras com a bicicleta. Um projeto único, que se tornará um foto-livro.

Para isso o Transite entra agora em sua segunda fase: a produção do livro, que será feito a partir de um financiamento coletivo. Ao invés de captar com um ou poucos investidores, o projeto é aberto para contribuições de múltiplos colaboradores e você também pode contribuir. O projeto está inscrito no Catarse e pode se acessado nesse link. Ali há uma descrição detalhada do projeto e das formas de contribuição.