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O mini-guia do Ciclocross

Publicado em 23/01/17
Ilustração: Raquel Thomé

Ilustração: Raquel Thomé

A nossa série de mini-guias você já conhece: para aproveitar melhor o ciclismo feminino das Olimpíadas, criamos roteiros para cada modalidade, com as regras básicas de cada uma, as bikes, as atletas favoritas e o que esperar das provas do Rio. Tudo para acompanhar o melhor do ciclismo de estrada, pista, MTB e BMX.

Semana que vem acontece o Campeonato Mundial de Ciclocross, então aqui vai mais um mini-guia para não perder nada dessa prova.

CX:

Ciclocross: prepare-se para água, terra, lama e quedas // Foto: Cyclingtips

«« O MINI-GUIA DO CICLOCROSS

Ciclocross, cyclocross, ou também CX, é uma modalidade de prova ciclística (e não uma modalidade de bike).

As corridas de ciclocross acontecem normalmente no outono e no inverno do hemisfério norte, na época de inverno e na baixa temporada das provas de estrada (a temporada internacional ou “World Cup” acontece de outubro a fevereiro), e consistem algumas voltas num circuito fechado e curto.

Com distâncias entre 2,5 a 3,5 km, os circuitos são super variados e com muitos tipos de terreno, com pista de terra, lama, areia, trilhas arborizadas, grama, colinas íngremes e obstáculos que exigem da ciclista desmontar rapidamente, carregar a bicicleta para passar o obstáculo e depois montar novamente. Pelas regras, esses obstáculos tem que ser limitados, já que 90% do circuito tem que ser pedalável. Ou seja, tem partes da prova que as bikes são simplesmente carregadas.

Sem glamour. Campeonato Mundial de CX de 2012 // Foto: Velonews

Sem glamour. Campeonato Mundial de CX de 2012 // Foto: Velonews

 

As provas femininas de ciclocross duram entre 40 e 50 minutos, com a distância variando dependendo das condições do solo. O esporte é forte nos países tradicionais no ciclismo como Bélgica (Flandres, em particular), França e Holanda.

Muitas das melhores ciclistas de ciclocross fazem outras disciplinas de ciclismo e vice-versa. A atual campeã mundial de CX, Thalita de Jong, normalmente corre em provas de estrada.

Comparada com outras modalidades de ciclismo, as táticas são bastante simples, e a ênfase está na resistência aeróbica e habilidades técnicas de dirigibilidade em diversos terrenos e superação de obstáculos. O vácuo não é tão importante como nas provas de estrada, pois os circuitos tem trechos curtos e a velocidade média nas provas é bem menor.

Durante a prova é permitido substituir bicicletas e receber assistência mecânica, o que acontece bastante, já que a lama e os terrenos costumam sujar muito a bike e provocar furos de pneu ou quebra de componentes. Enquanto a ciclista está correndo, sua equipe limpa a bicicleta tirando toda lama que prejudica sua pilotagem, lubrifica e troca eventual peça, deixando a bike pronta para nova substituição.

Você pode ver mais regras da prova aqui.

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Ciclocros 101: o diário de uma novata

 

«« Da onde vem o ciclocross

Existem muitas histórias sobre as origens do ciclocross. A oficial é que os ciclistas de estrada europeus do início de 1900 inventaram uma competição entre si: eles pedalavam de uma cidade para outra, sendo permitido atravessar plantações, pular cercas ou tomar qualquer atalho, a fim de chegar na próxima cidade.

Esta foi a maneira deles ficarem em forma durante os meses de inverno e colocar alguma diversão nos treinos. Além disso, andar fora de estrada asfaltada e em condições mais difíceis aumentou a intensidade de treinamento, além de melhorar suas habilidades quando voltavam a treinar no asfalto.

Durante a primeira metade do século XX, as provas de ciclocross se multiplicaram pela Europa, primeiro na França, depois nos países em torno. Foram inaugurados campeonatos nacionais e em 1950 a UCI organiza o primeiro campeonato mundial de ciclocross. Um pouquinho depois, no ano 2000, acontece a primeira prova feminina no campeonato mundial.

Segunda edição do Le Critérium Internacional de Cross-Country Cyclo-Pédestre em Paris, primeira prova internacional de CX

 

«« Especificidades da bicicleta

Bicicletas de ciclocross são muito parecidas com as de ciclismo de estrada. A diferença é que, para caberem pneus mais largos e cravados, os quadros tem um espaço maior no garfo e no triângulo traseiro, além dos freios cantilever ou a disco, e uma relação mais curta.

Uma outra especificidade é os cabos passaremm pela parte de cima do tubo superior da bike, para que a ciclista possa carregar a bicicleta no ombro sem que eles encostem no seu corpo, evitando que cabos e conduites sujem.

 

 

«« Técnica

Embora os circuitos de ciclocross sejam menos técnicos do que os de mountain bike, cada obstáculo ou terreno em particular requer habilidades específicas. Algumas seções do trajeto são extremamente enlameados, úmidos ou mesmo com neve, e outros são de cascalho e arenosos. Com isso, muito do desafio do ciclocross é manter a tração no terreno escorregadio em velocidade. Também são comuns degraus, barreiras, valas, escadas, encostas íngremes e lama funda ou areia exigindo carregar a bicicleta.

É por isso que o ciclocross também é conhecida como a “corrida de obstáculos do ciclismo.”

Muitas vezes, quando os trechos são extremamente técnicos ou fica impossível pedalar devido à erosão do desgaste repetido do terreno ou mau tempo, a ciclista vai desmontar e empurrar a bicicleta para poupar energia.

A campeã mundial: Thalita Dejong

A campeã mundial: Thalita de Jong // Foto: Cyclingtips

 

«« O que esperar do Campeonato Mundial

Nas últimas semanas acompanhamos as últimas etapas da Copa do Mundo de Ciclocross. E elas vem como termômetro do que pode acontecer no campeonato mundial, no próximo dia 28 de janeiro.

A atual campeã mundial, Thalita de Jong tentará manter sua posição. Ela não participou das últimas etapas da Copa do Mundo, já que Sophie de Boer já havia conquistado a vitória antecipada por pontos há algumas semanas.

A expectativa é sobre a participação de Marianne Vos, que voltou com tudo. Oito vezes campeã mundial de ciclocross, e ausente em 2015 e 2016, ela venceu todas as provas que participou neste ano, incluindo a prova de Fiuggi, na Itália.

O trajeto tinha trechos muito escorregadios e mesmo caminhar era difícil. Muitas quedas foram minando as concorrentes deixando o terreno livre para Vos abrir uma significativa diferença de quase 40 segundos.

“Estou acostumada a esquiar no gelo mas isso foi demais. Usei cravos para ficar em pé, mesmo assim ia deslizando de uma árvore para outra. Até que consegui ficar de pé.” 

Além delas, Sanne Cant, Ellen Van Loy e Alicia Franck são nomes fortes para vencer o campeonato.

O Campeonato Mundial acontece no próximo final de semana, nos dias 28 e 29 de janeiro, em Bieles, em Luxemburgo (tem até um gorro do da prova, se você quiser comprar).

 

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A super dominante Sanne Cant e as caretas mais famosas do ciclocross