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Nicolle Borges, uma brasileira no Mundial de Ciclismo

Publicado em 27/09/17

Nicolle treina hoje no Centro Mundial de Ciclismo da UCI // Foto: Arquivo pessoal

Participar do Mundial de Ciclismo não é para qualquer uma. Neste ano, o Brasil teve uma única participação. Enquanto a Seleção Brasileira não enviou atletas, Nicolle Borges conseguiu uma vaga, pois atualmente treina no Centro Mundial de Ciclismo (CMC), em Aigle, na Suíça.

Sorte a nossa que ela é curitibana! Diego Cagnato, nosso super parceiro [quem ainda não viu nosso vídeo??], acompanha Nicolle há tempos e bateu um papo com ela após o Mundial. As super fotos são do próprio Diego, nas competições da Nicolle em Curitiba. Uma baita oportunidade para conhecer uma atleta que vem se destacando cada vez mais.

 

Nicolle Borges e o Mundial de Ciclismo >> Por Diego Cagnato

Competições em Curitiba // Foto: Diego Cagnato

 

 

Conheci Nicolle há alguns anos, quando ainda morava em Curitiba. Nas competições que fotografei, sempre a vi se destacando das outras atletas, buscando sempre evoluir e aprender a cada prova. Sempre a via conversando com sua treinadora ou outros atletas mais experientes para entender o que estava acontecendo nas provas e como ela poderia melhorar.

Toda essa dedicação deu resultado e, no começo do ano, Nicolle foi para Suíça, treinar no centro de treinamento da UCI através de um convênio entre UCI e CBC.

No último sábado, Nicolle foi a única representante do Brasil na disputa do Campeonato Mundial de ciclismo. Apesar do país ter 3 vagas e mesmo havendo atletas disponíveis e prontas pra disputa, como Flavia Oliveira, a única a participar foi Nicolle.

Diferente da disputa masculina, não existe a categoria sub-23 para a competição feminina, então com seus 19 anos, Nicolle alinhou para a disputa com as atletas da categoria Elite, com nomes como Chantal Blaak (a campeã), Pauline Ferrand, Leah Kirchmann, e tantas outras que competem no Pro Tour.

 

Em Curitiba // Foto: Diego Cagnato

Depois da prova, fiz uma pequena entrevista com Nicolle. Ela me contou sobre o começo da sua carreira, sobre sua experiência na Suíça e como foi disputar o mundial:

Diego: você começou no ciclismo?

Nicolle: Tudo começou quando meu irmão Rieck Borges, começou a pedalar no velódromo com a Fabiana e o Adir Romeo. Um professor que trabalhava lá na época me chamou para participar das 100 voltas que é uma corrida /treino. Fui com meu Irmão e depois disso continuei treinando com o Adir e a Fabi. Depois de 3 meses fui para o Campeonato Brasileiro de pista na categoria Juvenil e fui campeã Brasileira! Agora já se passaram 4 anos!

 

Foi na pista que Nicolle começou e se destacou // Fotos: Diego Cagnato

E nesses quatro anos, como foi a sua rotina em Curitiba?

Minha rotina em Curitiba era basicamente treino e mais treino, muitas vezes de manhã e também a tarde, todos os dias praticamente, com apenas um dia de descanso na semana!

 

Como foi ser chamada para treinar na Suíça e o que isso representou de mudanças na sua rotina?

Ser chamada para treinar na Suíça foi uma das melhores coisas que aconteceram comigo em todos estes anos no ciclismo, era meu sonho! Na primeira vez que vim, em 2016, foi por pouco tempo. Apenas para treinar e competir o mundial de pista. Agora, em 2017, vim para treinar e competir na estrada, já não mais na categoria Junior, mas sim na categoria elite. Minha rotina aqui na Suíça contínua o que fazia no Brasil, treino e mais treino! Mas agora com nível mais alto, com treinadores da UCI, com tecnologias e tudo para ajudar na evolução que não é nada fácil!

 


Um pouco mais sobre estar aí, quais são os pontos fortes e fracos de treinar fora do país?

Eu amo estar aqui. Pelos treinamentos, por atletas ótimos de outros países com quem posso treinar junto, pelas tecnologias, treinadoras, pelo lugar em si que é ótimo para treinar. O ponto fraco é a família que ficou no Brasil. Tem que se pagar o preço em ficar longe por um longo tempo, mas a vida é feita de escolhas, tem que saber o que quer!!

Conte um pouco de como foi sua experiência no Mundial?

Eu fiquei sabendo que ia para o Mundial mais o menos um mês antes, pelo meu treinador aqui da UCI. Ele havia se comunicado com o treinador da seleção Brasileira e com a CBC e então me contou que eu teria esta grande oportunidade. A seleção Brasileira não iria então eu ficaria com eles da UCI, com toda a estrutura deles, claro.

A experiência de correr um Mundial de elite foi incrível!! Infelizmente não teve categoria sub 23 feminina no Mundial, então fui direto para elite e pude ver o quão alto é o nível. Foi a primeira vez que corri um Mundial de Estrada, com 5 meses e meio de treinamento. Evolui muito neste tempo, mas ainda falta muito para esse nível Mundial!! Eu e praticamente a metade de todas mulheres que largaram, não terminaram o Mundial pois existe um limite de tempo após o pelotão principal. Se seu tempo está maior, eles retiram da prova, então não pude continuar e completar.

O resultado em si não foi muito bom, mas a experiência sim! Na semana do Mundial ocorreram alguns imprevistos e fiquei muito doente por vários motivos, então larguei sem estar no meu 100%. Além disso, na primeira volta, já logo um pouco depois da largada, me envolvi em uma queda. Em um Mundial isso faz toda a diferença, todo detalhe faz a diferença!

Mas agora o foco contínua e ainda maior, porque vi que preciso treinar mais e com muito mais dedicação!

 

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