Cena

Momento de quebra – Parte I

Publicado em 30/03/16
«« Texto e ilustração por Paula Pedrosa

«« Texto e ilustração por Paula Pedrosa

É sexta. Aquele dia da semana que tem certo charme. Está tudo correndo como deveria, ou até melhor…

Acordei sem o característico mau humor das 6 da manhã. O dia já começava diferente. Sete e meia. Nos encontramos, animadas para mais um dia de pedal. Um amigo, e de certa forma orientador de treino, dá um toque que precisamos nos esforçar um pouco mais, encarar o vento de frente, sem massagem.

Uau! Fui pega de surpresa. Mas tudo bem, vou encarar.

Estávamos pedalando, vento na cara, revezando, sem vácuo dos amigos, estava difícil, 30 por hora, estava muito difícil, como conseguir, como? Calma, respira, pedala, pedala mais, socorro, mais vento, foco, concentra, flow, muito foda, concentra, respira, pedala. pedala.

Não teve aviso. Como se fosse em câmera lenta, vi que não havia nada que pudesse fazer, não dava para desviar, só cair da melhor forma possível. O chão chegou, duro e áspero como sempre. Logo veio outro baque. Amiga caiu também. Ai caralho! Levantei o mais rápido que consegui. Muita dor. Confusão. Bike torta. Estamos inteiras. Passam alguns minutos até entender o que aconteceu e baixar a tremedeira.

Preciso ir pra casa. Essa sexta definitivamente não é só mais um dia, é um ponto de quebra. De várias coisas.

Pedalar foi custoso. Tudo dói, bike capengando, pescoço duro. ai. consegui chegar na casa dos meus pais, na metade do caminho. ainda era cedo e estavam em casa. papai é ortopedista, e sabe o local exato para tocar e doer muito.

Recomendações: descanso, remédio e exame.

Ganhei uma carona pra casa. Tomar banho foi preciso, tive que encarar os ralados e limpá-los. #^{¥>%{*}+*!!!

Depois, sensação de que fui atropelada. este não foi meu primeiro tombo de bike, quem me dera, mas foi um dos piores.

Fiquei inoperante o resto da sexta e o final de semana. O dia foi estranho. Adrenalina ainda corria no sangue. Estava alerta e sem fome. Mas não podia me mexer demais. A noite não foi fácil, poucas eram as posições que não doíam. Mensagens dos amigos preocupados ajudou no ânimo. Mas no sábado caiu a ficha.

Comecei a pensar nessa nova fase que havia começado sem avisar. Como seria? Não estava preparada. Só que não tinha opção. Eu sabia que não eram somente ralados e hematomas. Mas só fui fazer exame na segunda. Diagnástico: duas pequenas fraturas estáveis em duas vértebras, uma cervical e uma torácica.

U A U ! Choquei! Sério? Que bosta!

Minha rotina mudou. Começando pelo óbvio. Não posso mais pedalar por um tempo. A bicicleta faz parte do meu dia a dia. É meu esporte, transporte, lazer e me representa de muitas maneiras. É uma relação toda especial. E precisamos nos separar. Tempos difíceis haviam começado.

 

«« A história da Paula continua.