Cena

Tem moda no ciclismo?

Publicado em 28/04/17

Roupas de ciclismo tem seu mundo próprio de tendências, linguagem e ideários. O que é objeto de desejo para usar quando damos uma pedalada normalmente perde todo o sentido quando mudamos o contexto.

Mas reconhecer esse universo de regras próprias não significa que temos que ignorar o que acontece na moda. Não necessariamente em relação às tendências, mas como uma indústria conectada com os movimentos que questionam a forma como produzimos e consumimos.

A Rapha é uma marca que há mais de 10 anos começou a quebrar essa ponte, trazendo conceitos de alfaiataria, materiais e texturas antes não utilizados no ambiente esportivo para as roupas que cria. Abriu caminho para tantas outras, que passaram a surfar essa onda do glamour e looks menos sporty na bike. Falar de roupas de ciclismo passa, pouco a pouco, a ser o mesmo que falar de moda.

Mas mesmo com essa aproximação e com a multiplicação de marcas pequenas em diferentes países, parece que muitas vezes a paixão pela bike deixa a visão dos criadores de vestuário de ciclismo um pouco fora dos temas e preocupações que hoje se discutem na moda.

Nesse cenário bem peculiar da moda ciclística, duas surpresas rolaram na semana passada.

Dos dias 24 a 30 de abril aconteceu a Fashion Revolution Week. Para quem não está familiarizado com o nome, o Fashion Revolution Day é um movimento criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh no dia 24 de abril de 2013 e que deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos. 

É uma campanha internacional que surgiu para aumentar a conscientização sobre o real custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo.

 

 

A participação nessa campanha acontece de diversas formas e uma delas é por meio da #whomademyclothes. Com a # pessoas do mundo todo podem se comunicar com as suas marcas preferidas, pedindo que elas mostrem seu processo produtivo.

A Isadore Apparel se engajou e fez uma postagem na campanha, resgatando uma matéria na qual mostra não só a história da marca, mas principalmente de seu fornecedor e responsável pela execução de todas as peças das coleções da Isadore: a Makyta Factory Family, uma fábrica tradicional da região.

 

 

Vale a pena conhecer a história de uma marca e de sua conexão com produtores locais, sua preocupação com a sustentabilidade. Ver uma marca que cresce e que se mantém consistente com seus valores é uma baita inspiração, principalmente para quem já se aventurou na criação de uma peça de ciclismo em pequena escala.

Kudos Isadore!

Ao mesmo tempo, na mesma semana, nos deparamos com o lançamento primavera-verão da Café du Cycliste, marca francesa que parece andar meio por fora das discussões sobre apropriação no universo da moda. Dá pra sacar o clima já na foto de lançamento da coleção Boubou.

Parece que não é só na organização das provas que os países mais tradicionais do ciclismo estão só vendo o bonde passar.

 

Lançamento da Café du Cycliste