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Arrasando nos gran fondos: Marcella Toldi

Publicado em 17/04/17

Marcella na chegada do Gran Fondo de NY: segunda no pódio!

Gran fondos são provas de ciclismo de longa distância de no mínimo 120km (75 milhas). Um tipo de prova que normalmente se participa sozinho, a competição acaba sendo muitas vezes consigo mesmo.

No Brasil cada vez mais cresce o interesse em participar desse tipo de prova. E se antes era necessário viajar para um gran fondo, hoje temos cada vez mais opções aqui no Brasil.

Se você vai participar de um, Marcella Toldi é um nome que você vai começar a ouvir mais e mais. Depois de ficar em vários pódios em 2016 – incluindo um segundo lugar geral no GFNY, terceiro no L’etape Brasil e ganhar o primeiro lugar na edição do Uruguay de março deste ano, Marcella vai virando uma super inspiração para todas que começam nas provas mais longas.

Por isso conversamos com a Mati, que faz parte da equipe Lulufive Team. A gente queria conhecer um pouquinho mais dos seus treinos, competições e da onde vem essa força toda na bike.

 

 

>> Adriana: Mati, como foi que você começou a pedalar?

> Marcella: Aprendi a pedalar com 5 anos. Morei em uma fazenda até os 10 anos de idade então pedalava todos os dias. Quando chovia a gente ia para a lama aprender a andar de bike! Mas treinar mesmo comecei com 17.

 

>> E quem foi o seu maior incentivo para começar a treinar?

Comecei a treinar com uma amiga e técnica que hoje não esta mais entre nós. A maior responsável pela minha paixão por treinar e pela bike foi a Cris Carvalho, uma atleta e treinadora única. Ela sempre me incentivou, me levava para a estrada, provas, cobrava minha presença nos treinos da USP. Treinei com ela até 2 anos atrás, quando um câncer de mama venceu a luta. Ela foi e sempre será minha maior ídola. A gente sempre conversou muito sobre treinos, sobre a vida, trabalho, amigos, tudo. Era minha mentora. Agora ainda sinto muito a presença dela, principalmente em provas e naqueles treinos longos, quando ficamos sozinhas e começamos a meditar.

 

>> Quando você diria que começou a treinar “de verdade”?

Ciclismo puro, abandonando os outros esportes, começou em outubro de 2015, logo depois de operar meus pés. Tinha joanetes e quando operei decidi parar de correr para não voltarem!

 

 

>> Quais outros esportes você curte?

Nado, corro e às vezes ando de skate. Mas agora muito menos do que antes, né?

 

>> Antes de fazer ciclismo de estrada você treinou muito MTB. O que você mais gosta no MTB?

Amo trilhas no meio da floresta, os single tracks, principalmente os mais fluidos, aqueles que você desce sem parar como se fosse video game.

Para treino também gosto bastante, porque trabalha muito a explosão e te força a melhorar a técnica.

 

>> O que a ciclista de estrada pode aprender com o MTB?

Muita técnica, força de explosão, aprender a sofrer de verdade e a se divertir. Acho o MTB mais divertido, você curte as trilhas, a galera tem uma vibe de diversão legal e acho que um espirito mais aventureiro, não tem frescura.

Ah, aprende a cair também! É bom para perder o medo, já que o chão geralmente é mais fofo e você vai perdendo o medo.

 

>> E o que a ciclista de MTB pode aprender com o ciclismo de estrada?

Depende do perfil de prova que você escolhe. Se preferir circuitos, geralmente duram cerca de 1 hora e você tem que ficar atenta aos ataques, fugas, precisa sobreviver no pelotão então tem que ter explosão para buscar as fugas e ficar esperta para sempre se posicionar em lugares onde, se houver uma queda, você não esteja no meio para não ir junto e ao mesmo tempo, não descolar para não perder a roda.

Já as provas longas normalmente exigem mais resiliência física e psicológica. Eu brinco que “ganha quem aguenta sofrer mais” porque precisa ter endurance, qualidade que só se consegue no trabalho de formiguinha de todos os dias. Mas ao mesmo tempo, tem que também ficar esperta para pegar boas rodas, tentar andar no pelotão para não se desgastar e geralmente quem puxa o pelotão vai tentar te largar nas subidas então precisa dosar a força no momento certo.

 

L’Etape 2016 também foi pódio: terceiro lugar geral!

 

>> Você sempre competiu?

Sempre, amo!

 

>> O que você mais gosta em uma competição?

Adoro encontrar os amigos. Acho que é a festa do esporte, né? Vemos amigos, sempre conhecemos pessoas novas, com histórias interessantes e o que nos une é essa paixão louca em comum que não tem raça, cor, idade, classe social.

 

>> Como você escolhe quais provas vai participar no ano?

Gosto de provas de endurance e com altimetria. Então olho o percurso, altimetria, beleza do lugar, qualidade da organização e o custo, né? Tento encaixar o máximo de provas que conseguir!

 

>> Qual é a sua rotina de treinos?

Treino quase todos os dias. Geralmente tenho um treino longo aos finais de semana, um de média duração durante a semana, um a dois de tiros e nos outros dias faço uma rodagem para tirar as toxinas que acumulam dos tiros e do longão. Tudo periodizado com um novo técnico de ciclismo que estou amando!