Cena

Ladies Power: um dia com Luciene, Mechy e Caterin

Publicado em 05/10/16

canela_diegocagnato_SF2016-4Texto: Adriana Vojvodic // Fotos: Diego Cagnato

Conhecemos Luciene Ferreira, Maria Mercedes Fadiga e Caterin Previley no sábado 24 de setembro, em um bate-papo promovido pelo Shimano Fest 2016. A conversa com as três ciclistas da equipe continental Weber Shimano Ladies Power duraria uma hora, na qual eu e Renata Mesquita, Embaixadora Specialized Pedal Urbano, faríamos nossas perguntas e mais outras previamente enviadas por mulheres que treinam e que se interessam pelo ciclismo feminino.

E naquele espaço não muito convidativo para conversas, se desenvolveu um super diálogo. No começo um tanto tímido, principalmente por parte das argentinas Maria Mercedes (a Mechy) e Caterin, que não estavam muito confortáveis por conta do idioma. Mas a conversa foi se desenrolando, mais perguntas feitas diretamente pelas meninas que assistiam, até no fim virar um abraço agradecido de Luciene: “Muito obrigada!”

 

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“Perguntas difíceis”, elas comentaram depois. Na verdade não eram, falamos de assuntos que estão no dia-a-dia dessas atletas. O diferente estava apenas em não serem só curiosidades, eram dúvidas e questões reais de pessoas que vivem o ciclismo e que se inspiram nessas ciclistas para seu próprio desenvolvimento.

Falamos da formação da equipe, que é composta por ciclistas de toda América Latina, da convivência entre elas, dos espaços e períodos de treinamento. Elas costumam treinar em seus países na maior parte do tempo, para se juntarem algumas semanas antes das competições e também para training camps no começo da temporada.

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A equipe é nova, foi criada em 2015. Por isso algumas das práticas estão sendo criadas. Luciene, que é brasileira de Mato Grosso do Sul e bicampeã brasileira de estrada (2012 e 2013), entrou na equipe no início de 2016, para competir o Tour de San Luis, em janeiro.

 

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Houve um tanto de surpresa quando a pergunta foi sobre o treinamento feminino. Menstruação, dores, cólicas são assuntos que estão na vida delas, mas não muito endereçados quando se fala de treino. Como atletas de endurance que são, dores e incômodos fazem parte do pacote.

Na comparação entre os países e o que elas enxergam na valorização do ciclismo local, muitas críticas e uma unanimidade. Falta incentivo, estrutura e visão de longo prazo. A falta de um ciclismo de base, que forme os ciclistas que competirão no futuro.

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Nosso encontro acabava ali, pois o dia seguinte seria longo.

6:45h da manhã e elas estão prontas para sair do hotel, onde Diego as encontrou. A prova feminina de Criterium começaria as 9h. Tempo para chegar ao local da prova, organizar os equipamentos e aquecer. “Nessas provas curtas tem que aquecer muito, ficar no rolo até o último minuto, senão não dá”, já avisa Luciene. O dia está mais frio e começa uma garoa fina.

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No rolo elas ficam concentradas. Se ajudam. A bike de Luciene precisa de alguns ajustes, mas ela quer a bicicleta de volta logo, precisa aquecer.

Quinze minutos para a prova. Aquecem mais. Agora ninguém fala mais nada. Cinco minutos, meninas. Hora de ir.

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Na linha de largada dois pelotões: a elite, que sairia na frente, e a categoria open, para atletas amadoras, que largou 30 segundos depois, uma segunda largada depois de problemas com a largada original, na qual a categoria open masculina e feminina saíram juntas.

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O circuito é curto, são apenas 3km em uma avenida plana. Duas retas de 1,5km com curvas acentuadas nos dois extremos. A prova feminina teria 11 voltas no circuito, que foram completadas em 1h06.

A competição se deu por pontos, o que exigia uma atuação estratégica das equipes. A partir da primeira volta, que era neutra, cada passagem pela linha de largada garantia pontos para a primeira e segunda colocadas, que ganhavam respectivamente 2 e 1 pontos. A última volta dava mais pontos, já que as oito primeiras colocadas pontuavam.

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A prova exigia então trabalho em equipe: definir quem seria a atleta a pontuar, que se posicionaria para o sprint no momento correto. Durante todo o restante do trajeto, quem trabalha são as demais, levando as pontuadoras para a linha.

Luciene pontuou na primeira volta, passou em primeiro na linha de chegada. Nas demais, no entanto, é Mechy quem desponta e disputa cada volta, pontuando na maior parte das voltas.

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O vento está muito forte e é sensível a diferença de velocidade entre um e outro lados da pista. Elas vêm pesadas, com cara de sofrimento. Depois da curva aceleram e passam voando. E isso se repete em todas as voltas.

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No resultado, Mechy é a melhor colocada da equipe, soma 8 pontos e fica na 4a posição. Caterin fica em seguida, em 5o e Luciene em 8o.

Com o fim da prova, o clima muda um pouco e não conversam muito. Ainda precisam avaliar o que ocorreu durante o percurso e ali não seria o momento.

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Vão aos poucos colocando casacos e calças, está frio e ainda cai aquela garoa fina. De repente, crianças! Muitas! São de uma escolinha de ciclismo, vibraram durante a prova inteira e querem autógrafos, fotos, ver as bikes, quem sabe uma caramanhola.

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Ao perceberem que Mechy e Caterin não falam português, perguntam para Luciene como se fala obrigado em espanhol. “Gracias!”

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