Cena

Conheça Naly Cabral e a Cycleland

Publicado em 05/07/17

Caçadoras de novidades, conhecemos a Cycleland do jeitinho que normalmente descobrimos as nossas roupas prediletas. Ao ver uma jaquetinha sendo usada por uma amiga pedalando por aí, foi impossível não parar tudo e perguntar: “Mina, da onde é essa jaqueta?”. Foi só depois que descobrimos que esse jeito tinha tudo a ver com o conceito da marca.

Diferente de tudo o que a gente encontra por aí, ela saltava aos olhos pela delicadeza.

Amor à primeira vista, fomos atrás da marca e da pessoa por trás dos seus desenhos e coleções. E ideias começaram a borbulhar.

A Cycle (apelido para os íntimos) é uma marca pequena e sediada em Araraquara, formada pela designer de moda Naly Cabral e pelo designer gráfico Rafael Afonso. Surgiu como uma reflexão sobre o lifestyle urbano e a mobilidade. Apoiada no movimento Slow Fashion, a Cycle produz duas coleções por ano e tem no movimento e no conforto os pilares para a construção das peças.

Voltadas para um público com estilo de vida ativo, as roupas são pensadas para caber na vida de quem precisa se mexer, mas que não abre mão de estilo e conceito na hora de se vestir.

A última coleção da Cycleland: esportiva e minimalista com tecidos e desenhos pensados no movimento

 

 

Ao conhecer a Naly e a Cycle foi impossível não querer ir além, afinal a busca por um vestuário esportivo mais alinhado com nossos estilos já virou nossa missão por aqui. Das conversas surgiu uma parceria, que a gente começa a anunciar agora, conhecendo mais a marca com um papo com a Naly Cabral.

 

Adriana Vojvodic: Naly, da onde surgiu a Cycleland?

Naly Cabral: Em 2011 criei a Cycleland Project, que foi meu trabalho de conclusão de curso, na UdeSC onde estudei moda. Foi o início da marca, em que fiz três looks conceituais e um vídeo, tudo muito focado em lifestyle, pois era o estilo de vida que eu tinha, de usar a bicicleta para tudo, para sair, ir trabalhar, ir para a faculdade. Depois que me formei eu e o Rafael fomos para Londres, fazer um curso de moda e marketing. Ali eu sabia que queria fazer algo relacionado a bicicleta, mas não sabia como. Na volta comecei a desenhar, para criar a minha marca. Fizemos outro vídeo, em São Paulo, que se chama Recidade, em parceria com a Tre3e. Eu sempre quis fazer vídeos para retratar onde você iria usar aquelas roupas que eu estava criando. Mas esse início era tudo muito experimental, bem beta, para testar.

E quando foi que o conceito da Cycle se consolidou?

A Cena de Sal foi a primeira coleção mais focada e quando começamos a nos estabelecer em um conceito baseado no movimento, mais do que especificamente na bicicleta. A bicicleta fazia parte da vida da pessoa, mas a roupa não precisava ter tantos elementos dedicados. Então passamos a fazer adaptações pequenas, como refletivos e recortes ou fendas, tecidos com base de algodão ou poliamida. Fomos desenvolvendo, a linguagem passou a ficar mais minimalista. Essa coleção foi lançada no Las Magrelas, em 2014.

Sempre trabalhamos juntos, eu e o Rafael Afonso. Ele é deseigner gráfico, fazendo toda a parte de comunicação, site, e eu na criação das peças. E com parceiros, cada coleção eu fazia parceria com uma equipe para fazer fotos, modelos, etc.

 

Parte da coleção Cena de Sal, inspirada no cenário da experiência da fotógrafa Luciana Afonso, que percorreu de bicicleta 6 países da América do Sul.

 

A gente conheceu a Cycle por conta de uma jaqueta da coleção Planta de Varanda. Conta um pouco dela para a gente, o que tem de diferente nessa coleção?

Planta de varanda teve bastante inspiração lúdica. Nesse momento começamos a separar mais a inspiração das coleções do estilo de vida do público. Planta de varanda veio em um clima mais suave, menos de cidade. Mas sempre com tecidos bacanas, em termos de conforto e tecnologia.

 

Como as roupas da Cycle atendem ao público que pedala?

O conforto e o movimento são as principais características das coleções da Cycle e isso se reflete nos desenhos que fazemos das peças e nos tecidos que usamos. Não são roupas para as pessoas apenas olharem e acharem bonitas. São roupas para usar e se mexer. E não são baseadas em tendência de moda. Nunca segui tendência, nunca fui ver a cor que estava sendo usada na temporada. A coleção começa sempre com o tema, como por exemplo a uma viagem de bicicleta no Atacama, feita pela fotógrafa Luciana Afonso. Pegamos as fotos, selecionamos o que seria nossa inspiração, fui desenhando, indo a fundo no tema. É uma forma bem simples e autoral de criar as coleções, o que faz elas serem sempre muito autênticas.

A Cycle se apresenta como uma marca que faz parte do movimento Slow Fashion. O que significa isso?

Faço duas coleções por ano. As coleções demoram um a dois meses para o desenho ficar pronto e começar a pilotar e depois produzir. Comecei aos poucos reparar nesse termo, slow fashion, e ao pesquisar sobre esse movimento percebi que a Cycle fazia parte disso, não foi algo escolhido de antemão. Isso significa que são produções que não são feitas em larga escala, são produtos com materiais que procuram não ter tanto impacto no meio ambiente e também se aproxima do conceito de fair trade. Você conhece sua costureira, a origem dos tecidos usados, tem uma preocupação com toda a linha de desenvolvimento das peças, buscando que toda a cadeia de produção seja correta.

 

Cada coleção tem um tema e trabalha conceitos atemporais: são peças para durar

O fato de não seguir uma tendência também se relaciona com isso?

Sim, nesse conceito também entra o posicionamento de não oferecer para as pessoas produtos que vão se acabar. Por isso que eu não sigo tendência, são peças atemporais, você não vai jogar fora a peça – como é o que sugere a indústria do Fast Fashion, com coleções semanais sendo colocadas nas lojas. São peças que vão durar. Enquanto o algodão durar, enquanto a poliamida durar, você vai ter sua peça. Foi assim que eu comecei a reparar que a Cycle era Slow Fashion. Além disso a gente tem uma preocupação em nós mesmos fazermos as embalagens, as etiquetas, as fotos, a estampa. Tudo isso demora, leva o seu tempo, mas faz parte da história da marca e dos produtos que fazemos.

 

Você acaba fazendo quase tudo.

Sim, só terceirizo a costureira. Mas ainda assim a relação é totalmente diferente. A produção é local, costuro aqui em Araraquara. Eu conheço a minha costureira, trabalhamos lado a lado. É bem diferente essa relação. Acompanhamos tudo, eu sei como ela costura, qual é o processo dela. É um trabalho bem cuidadoso.

 

Quais são os planos futuros para a Cycle?

Estamos desenvolvendo a parceria com o Canela, que foi a nossa dedicação nos últimos meses e com o lançamento já programado para as próximas semanas. Também desenvolvi neste ano o figurino da banda Liniker e os Caramelows. Agora quero um tempo para fazer a nova coleção da Cycle, para lançar até o final deste ano.

 

 

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