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CONEXÃO // RJ

Publicado em 26/04/16

RIO-DE-JANEIRO

Hoje a conexão que a gente faz é com o Rio de Janeiro!

A Rafaela Gimenes é do Paraná mas mora no Rio há quase 4 anos. E já começa com tudo a colaboração com o CONEXÃO [pdm], contando como foi o pedal que fez no feriado da semana passada, dia 21/04. Nada menos que o percurso que será feito na competição de ciclismo de estrada das Olimpíadas!

««« CIRCUITO OLÍMPICO // RJ

Acordo à revelia às 4h20 da manhã. Evito a soneca cotidiana. Pulo da cama e corro preparar o café. Tomo a rotineira vitamina C, como banana com mel. Começo a me arrumar. Muito protetor solar. Encho meus pneus e finalizo a arrumação da bolsa de selim: duas câmaras, remendo, ferramentas. No bolso da jersey: bananada, o gostoso gel da Exceed com cafeína, celular e o tempero que não poderia faltar — spray de pimenta. Caramanholas abastecidas. Garmin carregado. Partiu!

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Saio de casa às 5h26. O ponto de encontro fica a 10km da minha casa. Tudo escuro. Sinto medo de ser assaltada ou estuprada. Já fui perseguida antes. O spray, apesar de ineficaz, faz-me ter mais segurança. Mesmo assim, meto o pé.

A IBS (Intense Bike Shop), loja mais irada de bike do Rio, no pé da subida mais punk (Vista Chinesa), convidou amigos e clientes para pedalar o Circuito das Olimpíadas, mas sem os loops. Trata-se de um trajeto de mais de 100km com plano, vento contra, praia, lindas paisagens e montanhas.

Eu sabia que não seria um pedal de passeio, como não foi. O time e o pelote da IBS são conhecidos, não só em competições, mas também em treinos dominicais no Aterro do Flamengo, como fortes. Não seria fácil e admito que quase não fui com receio de não conseguir acompanhar. Edgar, sócio da IBS, disse que eu aguentaria. Resolvi ir. Se sobrasse, voltaria sozinha: “– Conheço bem o caminho, bora!”.

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Saímos da IBS, no Jardim Botânico, em direção à Avenida Niemeyer. Exatamente. Não, não pegamos a ciclovia que desabou. Estávamos em mais de cinquenta ciclistas (particularmente, adorei a quantidade significativa de meninas arrasando no pedal!). Ocupamos a rua. Contávamos com carros de apoio e motos. Às 6h30 da manhã, a maresia, as fortes ondas, a ressaca. Água do mar invadia o asfalto. Estava lindo.

Escolhemos, ao invés de pegar a Estrada do Joá, que é uma subidinha, aproveitar o vazio das ruas e ir pelo Elevado do Joá. Muitos ciclistas nunca tinham passado por ali de bike. No Elevado, passam apenas carros em alta velocidade. Estão construindo uma ciclovia ali também. Espero que essa seja bem feita.

Ao chegarmos na Barra, principalmente na orla, os pelotões começaram a se dividir. Eu percebi rapidamente o aumento da velocidade. Havíamos saído da “vibe” passeio e começado a pancadaria. Fui para o início do pelotão, já esperando a divisão. Respiração ofegante e um prazer incomensurável nunca sentido: eu estava num grupo de ciclistas enorme, como nunca antes, pedalando em segurança a mais de 40km/h.

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Não consegui acompanhar quando chegamos na Praia da Reserva. Ali, o primeiro pelotão fugou numa média absurda, que soube depois, de 48km/h. Me mantive no pelotão dos 40. Puxando, sendo puxada. Foi brabo! Pra piorar, logo depois de tanto esforço, temos que encarar a subida para a Prainha e depois Grumari, com seus paralelepípedos intermináveis, sem esquecer, é claro, da inumana de íngreme Serra dos Cabritos. Não se enganem: as melhores praias do Rio estão na Zona Oeste.

Estava focada em economizar energia nas subidas. Sabia que havia mais uns 50km pela frente, com a subida da Grota Funda, mais suave, mas, ainda sim, desgastante no sol que começava a cansar. A minha esperança era a promessa de pausa, que não rolou, na descida da Grota.

Nunca havia feito um longa sem pausa. Tudo bem: pausamos 5 minutos no quilômetro 92. Consegui fazer xixi. Estava com vontade desde o quilômetro 40. Administrar dor, força, fome, calor, sede e xixi não foi demais pra mim. É bem possível que, se estivesse com uma galera “menos performance”, teria dado um jeito de parar antes. Mas ali não tinha como: era Carreta Furacão!

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Logo depois da pausa, mais uma subida, a minha última: a Estrada do Joá. Curta, íngreme, cheia de carros e com asfalto muito ruim. Depois dela, só alegria. São Conrado vira o jardim da sua casa. Como eu e mais dois ciclistas não topamos encarar a Estrada das Canoas, pegamos a Avenida Niemeyer novamente (sim, novamente, no mesmo dia, uma hora antes de cair).

E novamente não pegamos a ciclovia. Eu quase sugeri. Subir a Avenida Niemeyer com os carros, após a construção da ciclovia, virou sinônimo de levar esporro e tomar finas gratuitas. Os guris me incentivaram acelerando. Nunca tinha subido tão rápido. As dores musculares começaram a reclamar. Muito! Prossegui sendo puxada por eles até o destino final: IBS!

Foi um pedal incrível de 109km em 4h13m com elevação acumulada de 631m. Agradeço enormemente ao Edgar e à IBS pelo convite e pelo entusiasmo! Foi excelente para a minha motivação ciclística acreditar na minha capacidade em acompanhar vocês! Consegui, para minha surpresa, puxar várias vezes e manter uma velocidade elevada durante a maior parte do percurso.

Para quem quiser entender melhor o percurso, pode ver aqui no Strava
Todas as fotos foram tiradas pelo maravilhoso Alex Ward Murtinho.

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