Cena

As minas do Daemon Track

Publicado em 03/08/16

Por Adriana Vojvodic // Fotos: Paula Pedrosa.

Sábado aconteceu o Daemon Track, um critério organizado pelo Francisco Martins, por meio do seu projeto Daemon Cycling.

Para quem não sabe, critério é um tipo de prova, que ocorre em circuitos fechados, nunca com mais que 5km (o circuito da Daemon Track tinha 2km e pode ser visto nesse link). As bikes são fixas, não tem freios, o circuito tem trechos de alta velocidade, tem curvas fechadas, tem toda uma atmosfera de tensão que deixa tudo empolgante.

Concentração da prova na Cidade Universitária USP. Foto: Paula Pedrosa

Concentração do Daemon Track na Cidade Universitária da USP. Foto: Paula Pedrosa

 

O evento todo foi incrível. Um dia gostoso, que começou por volta do meio dia na USP e só foi acabar de noite, com a comemoração das premiações. Uma super organização, que levou um grupo enorme de participantes e outro tanto de gente para assistir, tudo num clima de amigos que dividem um gosto: todo mundo ali simplesmente adora bike!! Melhor que isso impossível.

Francisco Martins, responsável pela festa toda.

Francisco Martins, responsável pela festa toda.

Todos saíram de lá com aquela vontade que algo assim acontecesse mais vezes. Iniciativas como essa são poucas em São Paulo: provas organizadas de forma independente, com apoio de algumas marcas e parcerias – a maior parte delas de negócios locais como bicicletarias e cafés.

Por conta das limitações de tempo e do local da prova, a competição foi mista: categorias feminina e masculina largaram juntas e correram ao mesmo tempo. Mulheres competiam entre si, homens entre si, mas todos correndo juntos na pista.

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O pelotão

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Largada da prova: todo mundo junto

A participação feminina foi demais!

O número de mulheres era bem menor do que o de homens: seis mulheres competiram, frente a mais de 30 homens. Em parte, isso reflete a diferença de quantidade entre homens e mulheres pedalando, mas também houve outros fatores que certamente desincentivaram a inscrição de mais mulheres: a bateria mista e, principalmente, as bikes sem freio, foram as principais razões que as próprias participantes mencionaram quando falamos sobre o porquê de não haver tantas minas na prova. Mas sobre isso falamos adiante.

E como foi a prova feminina?

Talita Noguchi, a vencedora da prova, avaliou bem o ponto crucial para garantir uma posição de liderança, que assumiu logo no início da prova: largou na linha da frente do pelotão, colocando-se com vantagem no meio dos demais competidores. Durante a prova ela manteve um ritmo ótimo em todas as voltas, num desempenho de botar respeito. Vitória super merecida!

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Talita Noguchi

Maria Clara Souza, aka Cacaaut, segunda colocada, sofreu uma queda logo no início da prova, o que prejudicou sua colocação no pelotão. Mas ela não estava para brincadeira. Caiu, levantou e partiu novamente. Guerreira.

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Maria Clara Souza

Mariana Boff, terceira colocada, estreava sua participação em provas de bike fixa. Na verdade, tirando uma voltinha aqui ou ali, Mariana não tem prática de fixa e nunca havia andado sem freios. Para encarar uma dessas tem que ter coragem, bravo!

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Mariana Boff

Naone Lopes, Carina Chandan e Tati Carvalho completaram a categoria feminina. Para a maioria delas, a posição de largada – no final do pelotão – certamente teve um impacto no desempenho.

Naone Lopes e sua bike.

Naone Lopes e sua bike.

Carina Chandan antes da largada.

Carina Chandan antes da largada.

Tati Carvalho e sua bike

Tati Carvalho e sua bike.

Saldo do dia? Sucesso!

E queremos mais provas e mais mulheres competindo. Agora, o que precisamos fazer para essa participação ser maior, não tem fórmula ou resposta única e depende da ação de várias mulheres.

Precisamos nós mesmas organizarmos eventos voltados para mulheres? Participar mais ativamente de organizações? Precisamos de categorias ou eventos exclusivos ou nos fazer presentes em eventos abertos a todos? Incentivar o uso da bike por mais mulheres, fazer clinicas para treinamento de técnica? Desenvolver uma comunicação voltada ao público feminino? São diversas as frentes e acho que essa conversa não para por aqui.

 

«« Classificação final da categoria feminina

1o lugar «« Talita Noguchi «« São Paulo

2o lugar «« Maria Clara Souza «« Rio de Janeiro

3o lugar «« Mariana Boff «« São Paulo

4o lugar «« Naone Lopes «« Rio de Janeiro

5o lugar «« Carina Chandan «« São Paulo

Tati Carvalho «« Rio de Janeiro